você se lembra disso?

31 10 2008

da Veja, em 3/11/1999

Gostaria muito de poder ouvir este garoto que deu a entrevista à Veja em 99 e confessou ter arrancado a cabeça do outro adolescente. Até agora o que consegui é que ele estaria em Osasco. Fábio Antônio de Castro, quase dez anos depois, deve estar com 28 anos. (continuo na busca).

Numa conversa com um agente do Grupo de Intervenção lá no CASA, ele me contou sobre este dia … ter visto a cabeça do adolescente ser jogada de cima do telhado certamente é uma imagem difícil de se esquecer. Achei algumas fotos, mas me recuso a postá-las aqui.

“Dei três machadadas nele”

Rosana Zakabi

Renata Ursaia
Castro: incêndio e decapitação para se vingar de outro garoto

Três dias depois da rebelião da Febem da Imigrantes, uma unidade que fica em São Paulo, dois internos confessaram sua participação na incineração e decapitação de um menor ainda não identificado. Segundo a polícia, M. D. D., de 17 anos, admitiu ter ajudado a cometer a barbárie com o uso das chamas de um maçarico. O outro, Fábio Antônio de Castro, 18 anos, usou uma machadinha. Castro foi internado há um ano e dois meses por assalto a um posto de gasolina. Em 1995, num acidente com fogos de artifício, perdeu a mão esquerda, além do dedo indicador e parte do dedo médio da mão direita. Segundo o que diz, foi uma vingança. “Ele (o colega assassinado) gozava do problema do meu braço e ameaçava me matar. Isso me revoltou.” Na última quinta-feira ele deu o seguinte depoimento.

Veja – Como foi a rebelião?

Castro – Tudo começou às 9 e meia da noite. Daí, tocamos fogo nas alas A e B. Fiquei empolgado, fui pensando em coisas boas, que eu ia conseguir fugir… Nós fizemos a rebelião na intenção de todo mundo fugir. Aí, vi que eu não ia conseguir. Mas, antes disso, eu já estava indo atrás dele (o colega que ele matou).

Veja – Qual o nome do menino degolado?

Castro – Não sei. Ele estava no artigo 157, por roubo de carro. Ele foi me gozando e eu disse que um dia nós ia (sic) se trombar. Aí, quando a casa virou eu fui logo atrás dele. Antes ele do que eu. Vesti a minha roupa e já coloquei um machado na cintura.

Veja – Como você conseguiu o machado?

Castro – Na carpintaria. Eu estava na A, desci para a carpintaria, fui com os outros até a C, invadimos a ala, tiramos os outros manos que estavam lá e ficou só ele. Ele e outros dois seguros (os internos sob proteção dos monitores). Só que os outros dois conseguiram correr. Quando cheguei lá, taquei fogo na ala e ele tava lá dentro. Aí, ele pegou fogo e começou a pedir para não morrer. Eu tirei ele de dentro do fogo e levei lá para baixo. Ah, ele entrou em pânico, né, meu? Aí, falei pra ele: “E aí, tu não falou que ia me matar?” Eu, com machado na mão, já esperando ele falar alguma coisa. Ele já estava no chão, olhava para mim, todo queimado e pedia: “Pelo amor de Deus…”. Aí eu falava: “Ah, não fala pra Deus nessas horas, porque já era…”. Aí, foi aquilo.

Veja – Aquilo o quê?

Castro – Dei três machadadas nele, aí, já era. No pescoço. Na frente, assim (mostrando o queixo). As outras duas, do lado.

Veja – Nesse momento, ele estava em chamas?

Castro – Quando arrastei ele pelo colarinho da camiseta, o fogo apagou. Mas ele já estava todo inchado, agoniado. Aí, fiz logo o serviço, para ele ver que não tem comédia na fita, né? Ele vacilou, xeque-mate. Arranquei a cabeça dele e joguei para o outro lado. O corpo dele ficou lá. Mais tarde, fiquei sabendo que tinham arrancado uma perna dele e jogado para o outro lado.

Veja – Havia mais dois na ala C que fugiram?

Castro – É, foram os primeiros a ser trombados. Os caras estouraram a cabeça deles, enfiaram telha no cérebro e jogaram lá pra baixo pro Choque carregar. E tem o “Alemãozinho”. Esse aí, acho que colocaram fogo no olho dele…

Veja – O que você espera do futuro?

Castro – Não sei. Agora é o Choque que está no comando e só quer saber de maldade: não deixa ninguém sair, só sofrimento… Nós tá (sic) três dias sem dormir e sem tomar banho… Mas agora, estou vingado. Tô satisfeito e não tô arrependido, hein?





cronologia do descaso:

31 10 2008

pra complementar o post sobre FEBEM – Fundação CASA.

Uma cronologia da Crise, do site : http://www.observatoriodeseguranca.org/imprensa/febem

O ano de 1999 foi marcado, dentre outros fatos preocupantes, pelas rebeliões ocorridas na Febem, de acordo com reportagens do Jornal Folha de São Paulo referentes a esse período descritas abaixo.

Em 24 de agosto de 1999, cinqüenta adolescentes fugiram da Febem Imigrantes, após uma rebelião.

Em 31 de agosto, uma liminar afastou judicialmente o então presidente da Febem, Eduardo Roberto Domingues da Silva e mais três diretores do complexo Imigrantes. Em 1o. de setembro desse mesmo ano, Guido Andrade assumiu a presidência da Febem. Em 3 de setembro, a Febem do Tatuapé teve uma fuga de 64 adolescentes. Desde o início desse ano, a fuga de internos chegou a 1.322.

Nos dias 11 e 12 de setembro, ocorreu uma rebelião na Febem Imigrantes que terminou com uma fuga recorde de 644 internos ou 45% do total dos jovens encarcerados. O ministro da Justiça José Carlos Dias disse que a situação “é inacreditável“.

No dia 13 de setembro Guido Andrade, presidente da Febem, prometeu a criação de uma brigada anti-rebelião, formada por funcionários da Febem e por policiais treinados.

Em 14 de setembro, 37 internos fugiram do Complexo do Tatuapé.

No dia 17 de setembro, 3 adolescentes armados com estiletes renderam o coordenador na Febem de Franco da Rocha e 11 internos fugiram da Unidade Educacional 5, do Complexo do Tatuapé, na sexta fuga de garotos da instituição num período de sete dias.

No dia 21 de setembro, o próprio presidente da entidade declarou, entre assustado e resignado, que “Talvez no zoológico os menores seriam mais bem tratados do que na Febem“.

A crise continuou e no dia 27 de setembro, cerca de 60 funcionários da Febem Imigrantes fizeram protestos e ameaçaram fazer uma greve. O presidente da Febem, Guido Andrade retrucou a esse fato com a possibilidade de demissão dos funcionários. Nesse mesmo dia, o então governador de São Paulo, Mario Covas mandou a tropa de choque da PM para dentro das unidades da Febem, em uma tentativa de conter as fugas.

Em 1o. de outubro, Andrade demitiu três monitores acusados de facilitação de fuga no complexo Imigrantes.

Nos dias 23, 24 e 25 de outubro, os internos mataram 4 adolescentes, feriram 48, destruíram 3 prédios e mantiveram reféns por 18 horas numa das maiores e piores rebeliões da história da instituição.

Em 28 de outubro, Guido de Andrade pediu demissão.

Segundo o Jornal Folha de São Paulo, no ano de 1999, ocorreram mais de 20 motins, nos quais houve a fuga de 2.252 internos. Quatro unidades foram focos de problemas: Imigrantes, Tatuapé, Raposo Tavares e Franco da Rocha.Várias medidas foram tomadas pelo governo para estancar o processo de fugas e revoltas, mas boa parte destas mostraram-se infrutíferas, entre elas, a troca de diretor, o afastamento de chefes de unidades, a demissão de funcionários e a colocação da PM para ocupar as unidades e impedir novas fugas. Mas os internos continuaram fugindo e se rebelando. Outra decisão do governo foi a transferência de 80 internos considerados de alta periculosidade para o Centro de Orientação Criminológica, no Carandiru. Uma semana mais tarde, a medida foi considerada ilegal e os internos foram levados de volta à Febem. Com a unidade Tatuapé destruída, centenas de internos foram levadas para a Febem Imigrantes. Com a superlotação a unidade criou condições para mais revoltas e fugas.

Foi nessa unidade que teve início a mais grave onda de fugas, o ápice ocorreu no Domingo, dia 12 de setembro de 99, com a evasão de 644 adolescentes.A secretária de Estado responsável pela Febem, Marta Godinho declarou, na ocasião: “As fugas continuarão, pois da Febem só não foge quem não quer.“

Em 24 de novembro, a Febem transferiu adolescentes para o Cadeião de Santo André.

No dia 20 de dezembro, o Departamento de Execuções da Infância e Juventude da Capital, Deij, conseguiu liminar para determinar que a Febem retirasse os adolescentes do Cadeião de Santo André, por considerar o espaço inadequado para abrigá-los.

No dia 26 de dezembro, um adolescente foi espancado até a morte por outros internos do cadeião.

Em 30 de dezembro, o Tribunal de Justiça de São Paulo cassou a liminar do Deij.

No dia 3 de janeiro de 2000, o Ministério Público de São Paulo solicitou ao Deij que mandasse a Febem melhorar a estrutura do prédio e que os internos tivessem acesso à escolarização e cursos profissionalizantes.

Em 6 de janeiro de 2000, o Deij determinou que a Febem cumprisse a solicitação do Ministério Público.

No dia 18 de janeiro de 2000, o Tribunal de Justiça de São Paulo cassou mais uma vez a liminar do Deij. O presidente do TJSP tem sido homem de ferro no sentido de apoiar a desastrosa política estadual voltada para os jovens em conflito com a lei, que se fundamente no encarceramento massivo.

O passa- repassa de responsabilidade seguiu pelos anos seguintes….

Por exemplo, no dia 15 de novembro de 1999, as famílias de internos denunciaram maus tratos no cadeião de Pinheiros a promotores de Justiça do Ministério Público de São Paulo. Em 21 de dezembro de 1999, o Ministério Público pediu ao Deij que determinasse a transferência dos adolescentes. Em 22 de dezembro de 1999, o Deij determinou a retirada dos adolescentes. Em 30 de dezembro de 1999, o Tribunal de Justiça cassou a liminar. Em 4 de janeiro de 2000, o Ministério Público solicitou novamente ao Deij que determinasse à Febem a reestruturação do prédio e que garantisse acesso à escolarização e cursos profissionalizantes. Em 6 de janeiro de 2000, o Deij determinou que a Febem obedecesse ao Ministério Público. Em 18 de janeiro de 2000, o Tribunal de Justiça cassou a liminar do Deij.

.

pra completar, de lá pra cá….

E resumidamente, e só pra contextualizar:

1. No dia 5 de setembro de 2000, o Centro pela Justiça e o Direito Internacional – CEJIL, apresentou ante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (doravante “a Comissão” ou “a CIDH”) uma petição contra a República Federativa do Brasil, (doravante “Brasil”, “o Estado” ou “o Estado Brasileiro”). A referida petição denunciou violação dos artigos 4, 5 , 19, 8 e 25 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos (doravante “a Convenção” ou “a Convenção Americana”), sobre direito à vida, direito à integridade física, direito à proteção especial à infância, direito às garantias judiciais e direito à recurso judicial, todos em relação ao artigo 1.1 da Convenção Americana, bem como a violação do artigo 13 do Protocolo de San Salvador, sobre direito à educação, em prejuízo dos adolescentes acusados de cometerem infrações penais, custodiados nas unidades da Fundação do Bem Estar do Menor – FEBEM (doravante “a FEBEM”), no Estado de São Paulo.

2. O peticionário denunciou o Estado Brasileiro pela situação em que se encontravam os adolescentes encarcerados no sistema penal paulista e a violação dos direitos destes que sistematicamente vinham sendo vítimas de torturas, maus tratos e espancamentos. Demais disso, a situação degradante a que viviam expostos tinha dado causa a várias brigas internas, rebeliões e fugas que terminavam muitas vezes de forma violenta, com graves lesões corporais e até morte dos adolescentes custodiados.

3. O Estado, quedou-se silente às denúncias de torturas e maus tratos, bem como sobre a morte dos adolescentes mencionados na exordial, alegando tão somente que “a morosidade atribuída não pode ser creditada à negligência do Governo Brasileiro, por intermédio de seu Poder Judiciário, uma vez que a Constituição Federal Brasileira estabelece recursos judiciais que visam garantir o direito à ampla defesa e ao devido processo legal”. Aduziu que o Estado de São Paulo iniciou processo de transição da FEBEM e trouxe à colação cópias de projetos que, informa, estão sendo desenvolvidos nesta Fundação.

4. A Comissão, em conformidade com os artigos 46 e 47 da Convenção, decidiu declarar a admissibilidade da petição, relativamente à eventuais violações dos artigos 1, 4, 5, 8, 19 e 25 da Convenção e artigo 13 do Protocolo de San Salvador.





esta paixão

31 10 2008

Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.

grandioso, (GARCIA MARQUEZ, Gabriel. Por que ser jornalista? Boletim do NPC – Núcleo Piratininga de Comunicação, nº 73, de 15 a 31 de agosto de 2005, disponível em http://www.piratininga.org.br/artigos/2005/73/boletim73.html, acesso em 07/04/2007)

- boanoite.





uma pergunta;

30 10 2008

Nos últimos meses eu tenho estudado sobre a história da FEBEM. O assunto já era algo que eu tinha mais ou menos desde 2005, quando o sistema deixou vir a tona aquela loucura de mortes, torturas e rebeliões que só nestas terras é que se vê.

Tendo trabalhado em redação por estes tempos, eu acompanhei a transição da FEBEM para Fundação CASA, e todo seu processo de descentralização da capital para os municípios. Cheguei a checar várias vezes informações a respeito da construção da unidade aqui em Jundiaí, o número de adolescentes da região nos grandes complexos, quais eram os principais atos infracionais, Conselho Tutelar, programas e etc. Inclusive conversei com os 15 adolescentes que estavam em uma cela da Cadeia Pública daqui dias depois da última rebelião, onde morreu um dos presos. Isso aconteceu logo depois do surto de tuberculose, e a superlotação {que de capacidade para mais ou menos 120 estavam com quase 400}. # não encontrei meus textos da época na internet já que o site do jornal foi reformulado =(, mas com prazer um texto do Emerson, daquela época http://portaljj.com.br/interna.asp?Int_IDSecao=47&Int_ID=51893

Me recordo, que na época, a construção da unidade da Fundação já estava no papel e também do CDP. Das duas, o CASA foi inaugurado mais ou menos dois anos depois e o CDP até hoje é uma das lendas urbanas da cidade. & que de embargos e liminares continua pela metade enquanto a cadeia bufa de gente. @

O fato aqui é que a unidade da Fundação CASA prometida pelo governo na época, veio. Esta transição FEBEM – Fundação CASA começou em 2006, logo após as determinações da ONU a respeito. Diante do caos, o governo do Estado – e isso é da época do Alckmin, providenciou a construção de várias unidades menores, com capacidade para até 56 adolescentes. Mudou o nome, mudou a concepção arquitetônica. Veio o Sinase com as diretrizes para o atendimento e hoje, mesmo que os funcionários que são concursados – os agentes de segurança, por exemplo, usem crachás com o nome FEBEM e você encontre vários formulários ainda com o logo antigo, não se pode mais dizer o FEBEM de maneira alguma. “Aqui é Fundação CASA, FEBEM não existe mais!”.

Esta percepção de campo – de contato com o antigo e novo modelo é muito regional, já que eu vi o antes – quando os adolescentes aguardavam o processo na cadeia pública e o depois – quando passei como educadora na unidade daqui da cidade; que da minha saída contava com exatos 56 adolescentes – 40 em regime de internação e 16 em internação provisória. Além disso, o contato através do COLETIVO nas unidades do complexo de Vila Maria – Abaeté e Adoniram, já com a ‘nova’ nomenclatura. As outras informações que tenho são muito mais técnicas – de notícias da própria Fundação, imprensa, artigos e legislação. O que ainda impede eu possa falar sobre com tanta ‘propriedade’ como eu ouvi dizer por aí.

Mas de formação curiosa, ainda que seja pouco, este material inicial me dá base para criticar. Presenciei sim, e ouvi relatos, que confirmam o quanto ainda é rala a mudança exigida por todas as Convenções Internacionais de Direitos Humanos a respeito do tratamento destinado ao adolescente que cumpre medida sócio educativa de internação. {falo assim porque não cheguei a conhecer o trabalho que é desenvolvido na semi-liberdade, apenas o de internação e há muito tempo atrás o de Liberdade Assistida}. ### . A gestão exigida por este novo modelo, é compartilhada. Ou seja, o Estado entra com uma parte e o município, através de seu Conselho da Criança e do Adolescente, indica uma ONG que seja capacitada para o trabalho de atendimento. Aqui, este trabalho é realizado pelo CEDECA – Centro de Defesa da Criança e do Adolescente. Pelas informações contidas na legislação, isso seria uma forma de garantir os direitos dos adolescentes em conflito com a lei, garantindo que não hajam casos de desrespeito a legislação, que subentende torturas – físicas e psicológicas, e que garanta a ressocialização – reduzindo os índices tão altos de reincidência.

A gestão, sabidamente, não é tarefa fácil. Uma vez que além de lidar com o estigma violento da FEBEM, é preciso manter a ‘ordem’ na casa.

Mas o que acontece é que vemos apenas o reforço da antiga visão do atendimento sócio educativo. Com panos quentes, os fatos são abafados, e o tom amarelo do prédio aparenta que tudo está sob controle.

Por aqui, e isto não é cuspir no prato que eu comi, uma vez que agora fora do sistema não estaria falando mal dos meus colegas de trabalho, nada está assim tão sob controle como aparenta.

0

Só pra constar um levantamento ‘light’, num dos dias que estive lá, eu contei em uma fila para enfermaria exatos 28 adolescentes com prescrição para psicotrópicos – Diazepam e Carbamazepina http://pt.wikipedia.org/wiki/Carbamazepina e alguns pelo que eu soube, o mais leve, Rivotril. Só cabe dizer o quanto eles ficavam ‘dopados’ … { numa das conversas na área dos fumantes, admirei o trabalho de uma das enfermeiras que estava dando estímulos positivos, como destaques no relatório, aos adolescentes que paravam de tomar os tais remédios – espero que isso tenha se mantido e que a fila tenha diminuído}.

O CASA aqui passou por uma rebelião, em julho. E nos dias que estava acompanhando os adolescentes na quadra, eles faziam questão de me contar como havia sido… Entre outras histórias – de invadir a dispensa e comer tudo que havia de doce, um deles contou que invadiu a enfermaria em busca dos tais remédios… ‘fiquei locão quase dois dias’ – brisa na cadoca é a melhor das diversões para eles. / ? +  . Perguntei a um dos funcionários sobre o tratamento da dependência química, já que vários deles eram viciados em cocaína – e não escondiam isso de ninguém, outros em crack – um de 12 tinha crises de abstinência punks, aliás. A resposta que tive é que estar internado já é uma medida protetiva contra uso de drogas. {o que ele exemplificou com a medida protetiva de educação – que é a garantia de que o adolescente estará matriculado regularmente no ensino público} aham. é isso mesmo = ele está protegido contra as drogas uma vez que está garantido que o adolescente não usará drogas no interior da unidade. +++ o que seria óbvio, right? “pode ficar tranquila mamãe, teu filho não vai fumar pedra aqui dentro” – seria cômico senão fosse trágico, diria a minha//

Sobre isso, um artigo que li há uns dias que fala sobre a medida protetiva : http://www.interface.org.br/arquivos/aprovados/artigo83.pdf

Tão lógico como o céu é azul, e alguns comprimidos também, [[trocar uma droga por outra não parece ser tão aceitável]], e mais lógico  do que a máxima de que o céu é azul, é que uma caixa de Diazepam vai custar ao menino muito mais que uma pedra de crack.

??????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????      .

* e a questão que fica, pra que isso não seja um capítulo, é:

até onde tem sido mais fácil tornar adolescentes viciados em psicotrópicos do que efetivamente respeitar seus direitos fundamentais???????

_se daqui uns tempos virar rotina os roubos à farmácias, não vão dizer que eu não avisei. __

pra findar, Sandrão – Chapa LOOpa. é bem nestas,

[[2 – o acesso aos meios de comunicação social aos adolescentes em medida sócio educativa de internação…. chequei novamente o ECA, li alguns artigos e enfim, é isso mesmo. Um dos direitos garantidos à eles é anulado dentro da Fundação CASA pelas normas de segurança; salvo a falta de atividades, ou a desconexão delas – em tempo, ao invés de um grupo de rap, acharam melhor um “tecladista” na formatura do curso de panificação. HO. os meninos devem ter a-do-ra-do! { mas rendeu uma matéria no JC e isso já valeu o dia}




escrever post.

30 10 2008

Mil e um assuntos pendentes;

-> eu quero ir pra Tailândia.

*O Instituto Butantan está selecionando profissionais formados este ano (inclusive em Comunicação Social) para o programa de aprimoramento profissional com bolsa da Secretaria de Gestão Pública do Estado de São Paulo. A iniciativa conta com ações culturais e educativas na área da saúde, aproveitamento científico de acervos, acervo vivo em museus, museologia e museografia, história da ciência e saúde pública, instrumentos de divulgação científica e institucional, produção do discurso pedagógico
e do estudo público.

As inscrições, gratuitas, vão até 15/12, de 2ª a 6ª.feiras, das 9 às 14h, no Núcleo de Ensino e Difusão Cultural (prédio da biblioteca do instituto, à av. Vital Brasil, 1.500) até 15 de dezembro.
Informações pelo 11-3726-7222.
Para se inscrever basta levar a cédula de identidade original com cópia.

e de acordo com o Mantega, aí vem a crise. E eu só preciso do meu FGTS.

pra ouvir : Amor de Muito – CNZ. (tudoqueeusintonestesúltimos2)





pense no Haiti,

29 10 2008

E a tragédia do Carandiru fez aniversário e eu não ouvi nada por aí a respeito. Traçar paralelos com os últimos acontecimentos sangrentos deste mundo cão seria o mínimo…

Hoje, ouvindo o meu cdzinho lindo da Elza Soares, me deu vontade de escrever sobre… tô sentindo falta dos meus meninos lá do CASA. Não faço nem idéia do que disseram à eles a meu respeito… se falaram a verdade ou disseram que eu aqui foi quem abandonou o barco pura e simplesmente por não ter saco para o trabalho… Apesar dos pesares, já com quase 3 semanas longe, fiquei muito feliz pela matéria que saiu no jornal sobre a formatura da turma da panificação. Bom trabalho do meu amigo Conrado, que é um dos poucos que eu considero comprometidos por lá, que aliás faz aniversário hoje – parabéns querido!.

Encontrei no site DHnet – http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/cavallaro/carandiru.html

No dia 2 de outubro de 1992, a rebelião dos presidiários do pavilhão 9, da Casa de Detenção do Carandiru, foi reprimida pela invasão de tropas da Polícia Militar e resultou na maior chacina da história das penitenciárias brasileiras: a morte de 111 detentos.

Na manhã do dia 2 de outubro de 1992 os presidiários jogavam futebol. Durante o jogo entre o time da turma da alimentação e o time dos encarregados da faxina, ocorreu um desentendimento entre dois detentos causado pela disputa de espaço no varal do segundo pavimento do pavilhão 9. “Barba” pendurava sua roupa no varal quando foi provocado verbalmente por “Coelho”. “Barba” acertou um soco em “Coelho” que utilizou um pau, que escorava a corda do varal, atingindo “Barba” na cabeça, que foi socorrido por agentes penitenciários, sendo levado para enfermaria. “Coelho” é agredido por agentes penitenciários e é levado embora. O portão que dá acesso ao segundo pavimento foi trancado pelos guardas, fato que causa a reação dos presos, que quebram a fechadura e iniciam o tumulto. Um amigo de “Barba” considera a agressão covarde e desafia um comparsa de “Coelho” para brigar. Um agente penitenciário tenta apartar, mas é ameaçado por outros detentos, que querem que a briga continue. O tumulto cresce. O sentinela PM Leal vê o agente penitenciário no meio do grupo e, mirando o fuzil, ordena que soltem o carcereiro. Um outro agente penitenciário grita para que o alarme seja acionado. O alarme soa. Pelo telefone da guarita, o PM Leal comunica o Batalhão da Guarda alertando que há rebelião no Pavilhão 9. Às 13h50, carcereiros tentam sem sucesso conter as brigas entre os presidiários. Não há possibilidade de fugas dos detentos, não há reféns e tão pouco reivindicações por parte dos presos. Às 14h00, os carcereiros haviam abandonado o local. O pavilhão 9 estava controlado pelos presos para o acerto de contas entre eles. Na gíria carcerária, “a casa virou”.

O Coronel Ubiratan Guimarães, Comandante do Policiamento Metropolitano tomou conhecimento dos acontecimentos na Casa de Detenção por meio do rádio do Comando de Policiamento (Copom), que havia sido avisado pelo Dr. Ismael Pedrosa, Diretor da Casa de Detenção. Dirigiu-se ao local e foi informado sobre a situação, pede auxilio ao Comando do Policiamento de Choque de São Paulo, Tenente Coronel PM Luiz Nakaharada, que envia reforço. O Cel.Ubiratan Guimarães se reúne também com os juizes Ivo de Almeida e Fernando Antônio Torres Garcia para avaliar a situação. Cel Ubiratan Guimarães conversa por telefone com o então Secretário de Segurança Pública, Dr. Pedro Franco Campos, que entra em contato com o Governador do Estado de São Paulo, Luis Antônio Fleury Filho. Às 14h51, avalia-se que a situação é grave e é oficializada a passagem do comando da decisão para a Polícia Militar. Autoridades superiores ao Cel. Ubiratan avaliam a necessidade de uma invasão a Casa de Detenção. Às 15h30, a tropa de choque, sob o comando do Cel. Ubiratan, estaciona do lado de fora da muralha.

De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público, apesar do grande tumulto e de sinais de fogo, não havia perigo de fuga. Com a chegada da Polícia Militar, os presos começaram a jogar estiletes e facas para fora, demonstrando que não resistiriam à invasão. Alguns colocam faixas nas janelas, indicando um pedido de trégua.

As autoridades reunidas decidem que, antes da invasão do pavilhão 9, o diretor da Casa de Detenção, com um megafone, iria tentar uma última negociação. Entretanto, soldados do Grupo de Ações Táticas Especiais quebram o cadeado e correntes do portão do pavilhão 9, enquanto o Cel Ubiratan se reúne com os comandantes dos1º, 2º e 3º Batalhões do Choque da Polícia Militar. Não houve negociação alguma. As tropas da Polícia Militar afastaram do caminho o Dr. Pedrosa e invadiram o pavilhão 9 sob o comando e instrução do Cel Ubiratan Guimarães, às 16h30, ação que seguiu até às 18h30. Trezentos e vinte cinco policiais militares ingressaram no pavilhão 9 sem as respectivas insígnias e crachás de identificação.

Depois da tomada do térreo , sem resistência ou reação com armas de fogo por parte dos presos, segundo o depoimento dos próprios policiais envolvidos na ação, exceto o depoimento do Cel. Ubiratan, os policiais partiram para os andares superiores. Não foi permitida a presença de autoridades civis durante a invasão. A maioria dos presos refugiou-se nas suas celas, onde muitos deles foram mortos.

Os PMs dispararam contra os presos com metralhadoras, fuzis e pistolas automáticas, visando principalmente a cabeça e o tórax. Na operação também foram usados cachorros para atacar os detentos feridos. Ao final do confronto foram encontrados 111 detentos mortos: 103 vítimas de disparos (515 tiros ao todo) e 8 morreram devido a ferimentos promovidos por objetos cortantes. Não houve policiais mortos. Houve ainda 153 feridos, sendo 130 detentos e 23 policiais militares.

e pela Elza, (ouve aí, aliás, ouve o cd todo, que é um dos melhores dos últimos tempos)

Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti

O Haiti é aqui

O Haiti não é aqui

E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti

O Haiti é aqui

O Haiti não é aqui

O Haiti é aqui

O Haiti não é aqui...

E DIA 20 TEM RAH DIGGA NA PRAÇA DA SÉ. SENSACIONAL!




bye aos acentos,

24 10 2008

Acabei de receber por e-mail, quadro bem explicativo sobre a nova regra ortográfica. Sumiram milhões de acentos… ;

logo mais as opiniões,

Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Por: Marília Mendes

Alfabeto

Nova Regra

Regra Antiga

Como Será

O alfabeto é agora formado por 26 letras

O ‘k’, ‘w’ e ‘y’ não eram consideradas letras do nosso alfabeto.

Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: km, watt, Byron, byroniano

Trema

Nova Regra

Regra Antiga

Como Será

Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano

agüentar, conseqüência, cinqüenta, qüinqüênio, frqüência, freqüente, eloqüência, eloqüente, argüição, delinqüir, pingüim, tranqüilo, lingüiça

aguentar, consequência, cinquenta, quinquênio, frequência, frequente, eloquência, eloquente, arguição, delinquir, pinguim, tranquilo, linguiça.

Acentuação

Nova Regra

Regra Antiga

Como Será

Ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em palavras paroxítonas

assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, panacéia, Coréia, hebréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico, paranóico

assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico

obs: nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis.

obs2: o acento no ditongo aberto ‘eu’ continua: chapéu, véu, céu, ilhéu.

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Regra Antiga

Como Será

O hiato ‘oo’ não é mais acentuado

enjôo, vôo, corôo, perdôo, côo, môo, abençôo, povôo

enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo

O hiato ‘ee’ não é mais acentuado

crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem, relêem, revêem

creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem

Nova Regra

Regra Antiga

Como Será

Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas

pára (verbo), péla (substantivo e verbo), pêlo (substantivo), pêra (substantivo), péra (substantivo),            pólo (substantivo)

para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo), pera (substantivo), polo (substantivo)

Obs: o acento diferencial ainda permanece no verbo ‘poder’ (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo – ‘pôde’) e no verbo ‘pôr’ para diferenciar da preposição ‘por’

Nova Regra

Regra Antiga

Como Será

Não se acentua mais a letra ‘u’ nas formas verbais rizotônicas, quando precedido de ‘g’ ou ‘q’ e antes de ‘e’ ou ‘i’ (gue, que, gui, qui)

argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe, enxagúemos, obliqúe

argui, apazigue,averigue, enxague, ensaguemos, oblique

Não se acentua mais ‘i’ e ‘u’ tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo

baiúca, boiúna, cheiínho, saiínha, feiúra, feiúme

baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume

Hífen

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Como Será

O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por ‘r’ ou ’s’, sendo que essas devem ser dobradas

ante-sala, ante-sacristia, auto-retrato, anti-social, anti-rugas, arqui-romântico, arqui-rivalidae, auto-regulamentação, auto-sugestão, contra-senso, contra-regra, contra-senha, extra-regimento, extra-sístole, extra-seco, infra-som, ultra-sonografia, semi-real, semi-sintético, supra-renal, supra-sensível

antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentação, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal, suprassensível

obs: em prefixos terminados por ‘r’, permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente etc.

Nova Regra

Regra Antiga

Como Será

O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal

auto-afirmação, auto-ajuda, auto-aprendizagem, auto-escola, auto-estrada, auto-instrução, contra-exemplo, contra-indicação, contra-ordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intra-ocular, intra-uterino, neo-expressionista, neo-imperialista, semi-aberto, semi-árido, semi-automático, semi-embriagado, semi-obscuridade, supra-ocular, ultra-elevado

autoafirmação, autoajuda, autoaprendizabem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, semiembriagado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.

Obs: esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc.

Obs2: esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por ‘h’: anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo etc.

Nova Regra

Regra Antiga

Como Será

Agora utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal.

antiibérico, antiinflamatório, antiinflacionário, antiimperialista, arquiinimigo, arquiirmandade, microondas, microônibus, microorgânico

anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico

obs: esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com vogal diferente = não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal = com hífen

obs2: uma exceção é o prefixo ‘co’. Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal ‘o’, NÃO utliza-se hífen.

Nova Regra

Regra Antiga

Como Será

Não usamos mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição

manda-chuva, pára-quedas, pára-quedista, pára-lama, pára-brisa, pára-choque, pára-vento

mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, pára-choque, paravento

Obs: o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constiui unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi etc.

Observações Gerais

O uso do hífen permanece

Exemplos

Em palavras formadas por prefixos ‘ex’, ‘vice’, ’soto’

ex-marido, vice-presidente, soto-mestre

Em palavras formadas por prefixos ‘circum’ e ‘pan’ + palavras iniciadas em vogal, M ou N

pan-americano, circum-navegação

Em palavras formadas com prefixos ‘pré’, ‘pró’ e ‘pós’ + palavras que tem significado próprio

pré-natal, pró-desarmamento, pós-graduação

Em palavras formadas pelas palavras ‘além’, ‘aquém’, ‘recém’, ’sem’

além-mar, além-fronteiras, aquém-oceano, recém-nascidos, recém-casados, sem-número, sem-teto

Não existe mais hífen

Exemplos

Exceções

Em locuções de qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais)

cão de guarda, fim de semana, café com leite, pão de mel, sala de jantar, cartão de visita, cor de vinho, à vontade, abaixo de, acerca de etc.

água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus-dará, à queima-roupa





abaixo o criticismo sem noção!

23 10 2008

pra completar o ranking das críticas non sense e clichê que têm rodado por aí nos últimos dias,

sente o teor do e-mail que eu recebi:

Exigências do seqüestrador para libertar um refém na China:

‘Tenho 3 exigências ou mato o rapaz!’

Negociadores chegam ao local pela janela ao lado para cumprir as exigências.

Negociador em posição

Inicio das negociações

Negociações concluídas

Caso encerrado

No Brasil a rua seria fechada com 25 viaturas,
60 PMs despreparados,
a negociação duraria 100  horas junto com toda imprensa
+ BABACAS dos Direitos humanos para bandidos,
o preso se entregaria como herói, custaria milhões para ter um julgamento,
cama, comida e boa vida na cadeia por muitos anos pagos por nós.

Entendeu por quê os produtos dos chineses são mais baratos que os nossos?

Repassem por favor a todos de sua caixa de endereços.

Sem mérito por eu ter postado aqui, mas foi pra constar o quanto é ralo o argumento de uns e outros – diga-se de passagem a massa toda, pq pontos de vista assim se alastram igual capim. # e isso amedronta.

Pq é agora tão mais fácil criticar o equipamento de segurança do governo? (!) e sem defesas direitistas, antes que me queimem na fogueira, – mas consegue perceber porque não há mudança? a crítica é tão rala que dispensa retórica. # 25 viaturas – pouco perto do bando de bico que estava por ali. 60 pms despreparados? – talvez. nunca fui fã de polícia, mas admirei toda a paciência, e cuidado do GATE pra não virar filme # – babacas dos Direitos Humanos????? – esta dispensa resposta meu bem. # e milhões de reais que serão gastos = enquanto não despregar a bunda da frente do computador pra escrever e-mails non sense como este, é exatamente isso que te resta fazer – pagar estadia de bandido na prisão e comer pastel no bar do China.

argh!!!!

E nas fotos, parece mais cena de um filme do Jackie Chan. (adOOOro).

- > abaixo os sem noção! e viva o XBox 360!

* musiquinha pra tarde quinta (dia lindo pra uma Brhama e um samba) : Pega Eu, Bezerra.





tá cruel Deus do céu! &¨&%¨$%

23 10 2008

tamoae.

Passadas as crises existenciais de ter saído do emprego e já caindo de pára quedas em outro, ( e sabe lá a reforma ortográfica como é que fica esta palavra – mas eu gostei sim. abaixo as críticas non sense! e pra isso é que serve o post) cá estou, everbody. saravá!

Nem sei se é a idade, mas ando ficando azeda ( e olha como uso esta palavra sempre que me descrevo aqui…hohoho) com as críticas non sense que ouvi no último punhado de dias de Lindemberg, polícia versus polícia parte 1, as regras da boa cobertura jornalística, Sônia Abrão, Datena, Record News, Globo e etcs. (adoro como o Sílvio Santos fica OFF a tudo isso, eu amo este cara) . ##

salvo que até minhas ressacas, se tornaram ressacas síndrome do pânico, então vai nem de suco pra entorpecer. + ; a azia se tona natural numas de pré menopausa.

Não é um direitismo imediato … e eu fiquei até com medo da minha posição sobre isso tudo, dada a acidez rebelde de apartamento, mas a crítica ao trabalho do GATE no caso do nosso galã de novela mexicana ( repara nas orelhas da criatura, é tipo uma versão do Gremlins do ABC hasuhaushau) foi meio forçar a barra ;

È, desta vez eu tô a favor da polícia. # e também do Datena (pasmem!). Eu acompanhei de perto, de perto subentende-se pela tv. E só por ela, aliás, evitei ler as notícias na internet e qualquer comentário postado pela rede, jornais ou revistas. Na sexta feira, já na sala a caminho do samba, vi a explosão (minha mãe é viciada em Record News) e os apetitosos policiais do GATE invadindo = o que foi pela escada, me desculpe, mas você sim é lerdo.

As críticas à polícia em casos assim é inevitável. Eu já previa mais o menos o drama. E a tv, que lá dentro era a informação que o nosso colega Lindemberg tinha 24 horas por dia, na maior parte das 100 que passou no apê com as garotas, se tornou a maior arma do sujeito. //// E fizeram de um tudo, ligaram pra criatura, colocaram no ar, e até os caras do São Paulo foram parar por lá (fala sério!!!) , mas o mais punk foi ver passar na tv, no meio da tarde, ao vivo aquele ser a intimidar nossa agoniante Sônia Abrão…>> foi a coisa mais trash que eu já vi nos meus reles 3 anos de estrada; salvo que formação e criticidade não têm que existir juntos, qualquer um com bom senso sabe que aquilo foi a coisa mais ridícula de ser feita depois do pulo da garota transmitido pelo saudoso Aqui Agora. /////

Nestas, eu concordei com o Datena, no final daquela mesma tarde, se não me engano foi na quinta feira, metendo o pau nas emissoras que tinham entrevistado o cara por telefone no ar… pelo o que eu sei, depois da Sônia Abrão, a Record veio na bota… e depois acho que a Globo, aliás preciso checar, porque afinal sem esta de jornalismo chapa branca **¨

Eu tive aula com um professor master de telejornalismo, e fiquei a pensar qual seria a opinião dele sobre isso. Será que valeu a pena explorar o momento a favor de um tipo de informação que não passa de um tesão de ver a desgraça alheia??? Que circo dos horrores é este, que transmite às 3 da tarde um sequestrador desequilibrado ao vivo???

O desgaste das informações valeu talvez pro menino ganhar forças lá dentro. Ele sentiu que o circo tava formado. O país estava parado por ele, pra saber o que ele ia fazer, pra acompanhar o drama das reféns, pra tentar entender o que é um amor não correspondido … /// e na minha opinião de foca, o ato impensado ( eu já tinha aversão à Sônia Abrão ) deveria ser cobrado pelos tais órgãos competentes. Cadê o sindicato dos jornalistas? cadê a porra toda de conselho dos jornalistas, o código de ética e toda a legislação e os colegas! que falam sobre isso??? Será que assim como o Gugu no episódio do membro do PCC dando entrevista no domingo a tarde e ao vivo em seu programa, isso tudo vai passar sem que ninguém note???? – e que não era membro de PCC coisa nenhuma e ainda mais por isso ele teria de responder, deu em nada. ; #$$$$$$$

Quanto a enxovalhação dos apetitosos (alguns) do GATE, será que não dá pra ver o quanto é clichê colocar a culpa na polícia? Na mesma segunda, estreou o Ùltima parada 174, que com todos os méritos deve ser sensacional. / a polícia neste caso, tomou tanto cuidado pra não virar filme, que acabou como vilã da história. Dá pra perceber qual  foi o cuidado – no caso de não atirar no Lidemberg nas oportunidades que teve – como disse o comandante na tal entrevista coletiva.. .se tivessem atirado, estariam ali questionando porque não deram mais tempo para negociar…

O clichê tão condenado virou regra. Tomar partido sempre é delicado no caso do jornalismo – tão imparcial e objetivo como ditam os manuais. Mas o que vimos foi o oposto. Uma pelo cansaço da cobertura – que era visível nos rostos dos apresentadores, repórteres e policiais; outra pela audiência, outra pelo record de tempo com alguém sequestrado (o cara da SWAT no Fantástico disse que o sequestro mais longo durou 5 horas) e também o cansaço do povo todo que parou pra ver a banda passar – só que a banda tocava pra ela e não pra eles. aíéquetá.#

Resultado, palmas pra briga das polícias. Como eu li no blog do meu querido Jóta, era algo que meio Praça da Sé no show do Racionais, mas desta vez a bala de borracha foi entre eles ; %#.

Então fica assim, se chover, não vai de chapinha.

ps: eu não passei os dias todos no cabeleireiro, o post lá de baixo continua na próxima. oui.

Ouviremos, : Cabeça de Nego, saudoso Sabota.





parte 1

16 10 2008

‘quem não quer brilhar? quem? mostra quem … ninguém quer ser coadjuvante de ninguém….’,

já dizia o sábio Brown.

Nas últimas 72 horas – e isto tudo parece que começou lá junto com o tal Lindemberg de Santo André (que me lembra assombração) escrevi diversas cartas, algumas várias com o mesmo destino, outras pra pessoas que nem conheço tão bem, outras para Ju aqui mesma… cartas e não e-mails, e já explico o porquê…… /// mas eu tô me livrando do refém agora meu filho, vê se segue o exemplo da tia e deixa a programação da tv voltar ao normal – pelamor.

Se casos de amor aqui nesta minha terra não dão flor, o meu caso com o meu laptop também passou por uma crise existencial nos últimos dias. Nada assombroso para quem tem um estagiário de informática, estudante de engenharia da computação e o tal certificado da Microsoft, – que faz a criança acordar aos domingos as 5 da manhã para ir para SP. / Salvo a má vontade do brother, foram dois dias para chegar o diagnóstico do meu amigo e mais um para ele ser consertado. Cá estou eu de volta, exercitando os dedos nesta maratona, que agora tem prazo previsto – que seja aproximado, já que nunca fiz isso, mas desta vez este livro sai.

Estou temporariamente em casa. E que tenha a ‘brevidade’ do atendimento sócio educativo de internação, como tá lá no meu querido Sinase …

freestyle sem flow.

Passada a sensibilidade a flor da pele, que estava me consumindo dia a dia,  tentei equilibrar a hostilidade, a tensão e falta de liberdade que por pouco não me anulou. Passei o domingo refletindo sobre o que eu estava me tornando… e como mãe Oxum, tão presente em minha vida, e mais ainda neste dia 12 de outubro, eu já pressentia que antes que eu falasse, falariam…

O argumento é que não é da minha ‘natureza’ seguir regras. Ok. Eu sou ácida, azeda, e principalmente curiosa – com um quê de luta por justiça, já que eu não sei calar quando alguém se prejudica unicamente por egos e vaidades de outrem. E ali são vidas, precisamente 40, e que deles, ao menos 25 conviviam diariamente pelo menos 9 horas comigo. = muito mais tempo do que tenho passado com meu filhote, que sempre me salva com teus 400 sorrisos diários. (quais regras são estas? e o que dizem elas a não ser o andar com as mãos pra trás pedindo licença o tempo todo???? ).

E sem sorriso, algo ali queria roubar a minha liberdade. Ao passo que eu me aproximava cada vez mais daquelas todas crises e dilemas de adolescentes sem perspectiva, fui ficando tão presa quanto eles. Tão hostilizada e por que não dizer mal tratada … ( e como um dia eu já tinha dito, é tudo igual a antes, e não venha me dizer que o modelo FEBEM morreu, porque na boa, eu não vou mais deixar que me façam aceitar por imposição de ‘propriedade’ que esta é a melhor maneira de se fazer. Falta sim propriedade talvez em áreas jurídicas, psicológicas, pedagógicas, assistenciais e então, principalmente, de segurança – sim porque se a medida sócio educativa tem este nome é de fachada, uma vez que quem tem a voz única da gaiola pra lá, são eles).

Mas a minha propriedade, – que aos 25 e espero que assim seja ao longo de toda minha vida – , ainda está em formação. Não li isto em nenhum livro de auto ajuda, e considero que seja esta sim a minha natureza: estar em formação. Não tenho preguiça de aprender, não tenho preguiça de questionar, não fico vendo o barco passar, eu vou lá ver como é que segura o remo… dá pra entender???

Acho que tudo começou com o meu perfume – que pra quem conhece sabe que ele lembra o cheiro do beck …

http://www.natura.net/port/hotsite/ekos_priprioca/index.asp , sem argumento, logo na primeira semana, estereotiparam a educadora tatuada e colorida em maconheira. Dali eu já senti até que ponto a coisa podia andar … se tão falando sobre isso sem que eu perceba, que mais falaram de mim? e o mais loco que eu não tive nem a oportunidade de me apresentar …

Daí veio a questão da censura com o jornal, o rádio, o Racionais, o pular no banheiro pra pegar a bola, a formação sob a neurose, a conversa demais, a empatia, as brincadeiras …. a intenção única era no mínimo ‘destensionar’ o ambiente. Mas me odiaram, e eu que, de tão simpática dou idéia até pra mendigo na rua, me transformei numa pessoinha chata, que defendia os meninos ( e tá tudo na legislação, não fui eu não quem criou !) e que tava ali só pra tumultuar.

Os projetos foram engavetados. E eu aceitei a vaga na época simplesmente pela possibilidade de crescer, de desenvolver um trabalho bacana e principalmente com resultados. Acabei em casa, com uma caixa de long neck e uma tinta pro cabelo, a pensar no que eles estão fazendo agora …

{continua logo mais, que eu tô atrasada para o cabeleireiro}

ouve lá, ouve alto e canta junto comigo

UM POR AMOR, DOIS POR DINHEIRO – RACIONAIS MCS – que não é apologia aqui nem na China, vaenego!