1. A depressão rima com as portas

4 11 2008

Amarelas, assim como a raiva, a angústia, a depressão … aquele estado amarelado de hepatite, de amarelão, de pus de unha encravada, de icterícia de bebê, de ar seco do sertão, de urina, de chinês. De jornalismo- amarelo, doença, decadência, degeneração…., e assim são as portas das novas unidades da Fundação CASA.

(((((No livro Psicodinâmica das cores em comunicação, de Modesto Farina – Ed. Edgard Blucher, tem muita coisa interessante, e todo mundo deveria ler. Uma resenha bem bacana sobre ele aqui: http://usabilidoido.com.br/psicodinamica_das_cores_em_comunicacao.html ;

O filme Amarelo Manga (que eu amo) também dá uma boa noção sobre isso. Almodóvar, por fim, explica tudo. Assita Volver.))))))

E as tardes dentro da unidade se vão meio amareladas assim como a sua nova identidade visual. O amarelo gema das portas rima com o tédio dos dias ali dentro, com a falta de sol, com a abstinência e com o tratamento a base de psicotrópicos dispensado à maior parte dos adolescentes.

O novo modelo arquitetônico, em que a unidade é dividida em três andares – primeiro piso: refeitório, salas de aula e oficinas, segundo piso: dormitórios e terceiro piso: quadra, e construída no meio do terreno, faz com que o sol seja raridade. Alguns dias, apesar do calor intenso, não se via uma fresta de luz entrar pelas janelas.

Na quadra, por conta das normas da segurança interna, não se pode encostar nas grades de proteção. A distância mínima que o adolescente deve ficar é de um metro. Não se pode acenar para fora, e se quiser pegar o sol que por vezes bate ali, tem de ficar sentado, de costas para parede. A justificativa fica sob as  possíveis tentativas de fugas.

Por diversas vezes presenciei vários deles sentados uns próximos aos outros na parede da quadra na intenção de dividir um feixe de sol que passava por ali.

Tanto nas prisões como nos centros de tratamento psiquiátrico, o banho de sol é recomendado pelos médicos especificamente para minimizar sintomas de depressão.

Artigos recentes demonstram cientificamente a relação entre a falta de exposição a luz do sol e a depressão. Como destaca o estudo publicado nos Archives of General Psychiatry , de maio deste ano: “As causas subjacentes da falta de vitamina D, como menor exposição ao sol ao reduzir as atividades ao ar livre, as mudanças de casa ou de hábitos como o de se vestir, o menor consumo de vitaminas podem originar depressões, mas a depressão pode ser também conseqüência de um baixo índice de vitamina D“.

O psicólogo Camilo Arantes, que trabalha em um centro de tratamento de adolescentes com dependência química, explica que na maioria dos jovens atendidos, o primeiro diagnóstico está sempre ligado à leve depressão. O que incentiva o consumo e por consequência a sua depedência.

A importância de atividades ao ar livre durante o tratamento é fundamental, segundo ele. “Em conjunto com o trabalho de conscientização e desintoxicação é necessária a atividade física, principalmente ao ar livre, onde a luz solar potencializa a ação da vitamina D no organismo e reduz o grau de depressão de maneira significativa”.

Somados em todo o Estado, são aproximadamente 11 mil adolescentes internos. De acordo com o último censo realizado com esta população de adolescentes, ficou constatado que pelo menos 48% eram usuários de algum tipo de droga ilícita. Não há dados na rede, e não recebi resposta até o momento dos pedidos que fiz sobre o tema, a respeito de quadros clínicos de depressão. O que se sabe é que sob a medida protetiva de saúde, estão inclusos tratamentos para dependência química de acordo com o serviço de saúde pública oferecida pelo município. Porém, no interior das unidades – salvo em alguns casos de grandes complexos onde acontecem reuniões de grupos do A.A e do N.A. – , a bomba privação de liberdade-abstinência-depressão é tratada com base em prescrição médica de psicotrópicos como Diazepam, Carbamazepina e Rivotril.

“As prescrições médicas são feitas de acordo com os exames realizados com o adolescente quando ingressa na unidade, o acompanhamento fica a cargo dos técnicos que podem ou não enviar notificações ao serviço de saúde pedindo suspensão ou progressão do uso do medicamento”, explicou a enfermeira de uma unidade visitada. (prefiro por enquanto não citar os nomes das pessoas e unidades que foram visitadas já que não tenho autorização das fontes para publicar a entrevista – já que também eu nem avisei que era entrevista.. ho ho ho, ).

Em uma tarde amarela na unidade, foram contados 28 adolescentes na fila para enfermaria. Em horários marcados todos eles passam suas queixas para a enfermeira de plantão e recebem medicamentos; a quantidade de horários de atendimento varia conforme a unidade. A consulta médica geralmente é realizada uma ou duas vezes por semana. O adolescente que tiver prescrição médica tem de ir até a enfermaria mesmo que se recuse a tomar a medicação. Em alguns casos, eles chegam a ser penalizados se não atenderem o chamado de atendimento de prontidão. Saídas para o PS são apenas em casos urgentes, já que sempre é preciso trabalhar com a hipótese de o adolescente estar blefando para tentar fuga.

Logo, o que se conclui é que em medidas de internação que podem durar até 3 anos, o adolescente é examinado uma única vez por algum médico do serviço psiquiátrico quando ingressa na unidade, e pode passar todos estes dias sob a prescrição de um medicamento anti-depressivo caso isso não seja revisto em seu atendimento individual que está previsto na lei. Nota-se, na leitura da mesma pesquisa citada acima, que os adolescentes egressos voltam a consumir drogas na mesma quantidade ou mais do que antes da internação.

R., 16 anos, conta que usava cocaína todos os dias nos últimos meses. Questionado sobre o vício, ele diz que era o que o deixava ligado pro ‘trampo’. “Passava par de dia acordado, ganhava dinheiro que nem água e cheirava tudo no mesmo dia”. Na sua nona passagem por um centro de internação, R. diz que já se acostumou com os remédios, mas que ao contrário do que pensam, ao invés de ‘passar’ a vontade da cocaína, a brisa lenta do anti-depressivo, só aumenta o desejo de consumir. “Parece brisa de baseado, aí que dá mais vontade ainda de tomar uma cerveja e dar um tirinho”.

(A abstinência, privação da liberdade e a depressão tornam diversos grupos de adolescentes em todo o Estado viciados em psicotrópicos, que de acordo com Arantes, são tão nocivos à saúde física e mental destes jovens em formação, como o uso de drogas como o crack e a cocaína. A fórmula simples, que poderia ser revista é de que sem os comprimidos, fatalmente aquele adolescente irá voltar ao consumo de drogas, alimentando o tráfico e na maior parte das vezes retornando à unidade depois de preso mais uma vez).

[continua...]

***ps- meus queridos, este é um rascunho/ resumo – já que não daria pra postar o texto todo aqui porque isso aqui é internet e ninguém merece ler páginas e mais páginas num blog////, mais informações oficiais e vários outros relatos virão quando o trampo estiver concluído.  Todos os dados são reais, assim como os personagens deste texto. //





você se lembra disso?

31 10 2008

da Veja, em 3/11/1999

Gostaria muito de poder ouvir este garoto que deu a entrevista à Veja em 99 e confessou ter arrancado a cabeça do outro adolescente. Até agora o que consegui é que ele estaria em Osasco. Fábio Antônio de Castro, quase dez anos depois, deve estar com 28 anos. (continuo na busca).

Numa conversa com um agente do Grupo de Intervenção lá no CASA, ele me contou sobre este dia … ter visto a cabeça do adolescente ser jogada de cima do telhado certamente é uma imagem difícil de se esquecer. Achei algumas fotos, mas me recuso a postá-las aqui.

“Dei três machadadas nele”

Rosana Zakabi

Renata Ursaia
Castro: incêndio e decapitação para se vingar de outro garoto

Três dias depois da rebelião da Febem da Imigrantes, uma unidade que fica em São Paulo, dois internos confessaram sua participação na incineração e decapitação de um menor ainda não identificado. Segundo a polícia, M. D. D., de 17 anos, admitiu ter ajudado a cometer a barbárie com o uso das chamas de um maçarico. O outro, Fábio Antônio de Castro, 18 anos, usou uma machadinha. Castro foi internado há um ano e dois meses por assalto a um posto de gasolina. Em 1995, num acidente com fogos de artifício, perdeu a mão esquerda, além do dedo indicador e parte do dedo médio da mão direita. Segundo o que diz, foi uma vingança. “Ele (o colega assassinado) gozava do problema do meu braço e ameaçava me matar. Isso me revoltou.” Na última quinta-feira ele deu o seguinte depoimento.

Veja – Como foi a rebelião?

Castro – Tudo começou às 9 e meia da noite. Daí, tocamos fogo nas alas A e B. Fiquei empolgado, fui pensando em coisas boas, que eu ia conseguir fugir… Nós fizemos a rebelião na intenção de todo mundo fugir. Aí, vi que eu não ia conseguir. Mas, antes disso, eu já estava indo atrás dele (o colega que ele matou).

Veja – Qual o nome do menino degolado?

Castro – Não sei. Ele estava no artigo 157, por roubo de carro. Ele foi me gozando e eu disse que um dia nós ia (sic) se trombar. Aí, quando a casa virou eu fui logo atrás dele. Antes ele do que eu. Vesti a minha roupa e já coloquei um machado na cintura.

Veja – Como você conseguiu o machado?

Castro – Na carpintaria. Eu estava na A, desci para a carpintaria, fui com os outros até a C, invadimos a ala, tiramos os outros manos que estavam lá e ficou só ele. Ele e outros dois seguros (os internos sob proteção dos monitores). Só que os outros dois conseguiram correr. Quando cheguei lá, taquei fogo na ala e ele tava lá dentro. Aí, ele pegou fogo e começou a pedir para não morrer. Eu tirei ele de dentro do fogo e levei lá para baixo. Ah, ele entrou em pânico, né, meu? Aí, falei pra ele: “E aí, tu não falou que ia me matar?” Eu, com machado na mão, já esperando ele falar alguma coisa. Ele já estava no chão, olhava para mim, todo queimado e pedia: “Pelo amor de Deus…”. Aí eu falava: “Ah, não fala pra Deus nessas horas, porque já era…”. Aí, foi aquilo.

Veja – Aquilo o quê?

Castro – Dei três machadadas nele, aí, já era. No pescoço. Na frente, assim (mostrando o queixo). As outras duas, do lado.

Veja – Nesse momento, ele estava em chamas?

Castro – Quando arrastei ele pelo colarinho da camiseta, o fogo apagou. Mas ele já estava todo inchado, agoniado. Aí, fiz logo o serviço, para ele ver que não tem comédia na fita, né? Ele vacilou, xeque-mate. Arranquei a cabeça dele e joguei para o outro lado. O corpo dele ficou lá. Mais tarde, fiquei sabendo que tinham arrancado uma perna dele e jogado para o outro lado.

Veja – Havia mais dois na ala C que fugiram?

Castro – É, foram os primeiros a ser trombados. Os caras estouraram a cabeça deles, enfiaram telha no cérebro e jogaram lá pra baixo pro Choque carregar. E tem o “Alemãozinho”. Esse aí, acho que colocaram fogo no olho dele…

Veja – O que você espera do futuro?

Castro – Não sei. Agora é o Choque que está no comando e só quer saber de maldade: não deixa ninguém sair, só sofrimento… Nós tá (sic) três dias sem dormir e sem tomar banho… Mas agora, estou vingado. Tô satisfeito e não tô arrependido, hein?





cronologia do descaso:

31 10 2008

pra complementar o post sobre FEBEM – Fundação CASA.

Uma cronologia da Crise, do site : http://www.observatoriodeseguranca.org/imprensa/febem

O ano de 1999 foi marcado, dentre outros fatos preocupantes, pelas rebeliões ocorridas na Febem, de acordo com reportagens do Jornal Folha de São Paulo referentes a esse período descritas abaixo.

Em 24 de agosto de 1999, cinqüenta adolescentes fugiram da Febem Imigrantes, após uma rebelião.

Em 31 de agosto, uma liminar afastou judicialmente o então presidente da Febem, Eduardo Roberto Domingues da Silva e mais três diretores do complexo Imigrantes. Em 1o. de setembro desse mesmo ano, Guido Andrade assumiu a presidência da Febem. Em 3 de setembro, a Febem do Tatuapé teve uma fuga de 64 adolescentes. Desde o início desse ano, a fuga de internos chegou a 1.322.

Nos dias 11 e 12 de setembro, ocorreu uma rebelião na Febem Imigrantes que terminou com uma fuga recorde de 644 internos ou 45% do total dos jovens encarcerados. O ministro da Justiça José Carlos Dias disse que a situação “é inacreditável“.

No dia 13 de setembro Guido Andrade, presidente da Febem, prometeu a criação de uma brigada anti-rebelião, formada por funcionários da Febem e por policiais treinados.

Em 14 de setembro, 37 internos fugiram do Complexo do Tatuapé.

No dia 17 de setembro, 3 adolescentes armados com estiletes renderam o coordenador na Febem de Franco da Rocha e 11 internos fugiram da Unidade Educacional 5, do Complexo do Tatuapé, na sexta fuga de garotos da instituição num período de sete dias.

No dia 21 de setembro, o próprio presidente da entidade declarou, entre assustado e resignado, que “Talvez no zoológico os menores seriam mais bem tratados do que na Febem“.

A crise continuou e no dia 27 de setembro, cerca de 60 funcionários da Febem Imigrantes fizeram protestos e ameaçaram fazer uma greve. O presidente da Febem, Guido Andrade retrucou a esse fato com a possibilidade de demissão dos funcionários. Nesse mesmo dia, o então governador de São Paulo, Mario Covas mandou a tropa de choque da PM para dentro das unidades da Febem, em uma tentativa de conter as fugas.

Em 1o. de outubro, Andrade demitiu três monitores acusados de facilitação de fuga no complexo Imigrantes.

Nos dias 23, 24 e 25 de outubro, os internos mataram 4 adolescentes, feriram 48, destruíram 3 prédios e mantiveram reféns por 18 horas numa das maiores e piores rebeliões da história da instituição.

Em 28 de outubro, Guido de Andrade pediu demissão.

Segundo o Jornal Folha de São Paulo, no ano de 1999, ocorreram mais de 20 motins, nos quais houve a fuga de 2.252 internos. Quatro unidades foram focos de problemas: Imigrantes, Tatuapé, Raposo Tavares e Franco da Rocha.Várias medidas foram tomadas pelo governo para estancar o processo de fugas e revoltas, mas boa parte destas mostraram-se infrutíferas, entre elas, a troca de diretor, o afastamento de chefes de unidades, a demissão de funcionários e a colocação da PM para ocupar as unidades e impedir novas fugas. Mas os internos continuaram fugindo e se rebelando. Outra decisão do governo foi a transferência de 80 internos considerados de alta periculosidade para o Centro de Orientação Criminológica, no Carandiru. Uma semana mais tarde, a medida foi considerada ilegal e os internos foram levados de volta à Febem. Com a unidade Tatuapé destruída, centenas de internos foram levadas para a Febem Imigrantes. Com a superlotação a unidade criou condições para mais revoltas e fugas.

Foi nessa unidade que teve início a mais grave onda de fugas, o ápice ocorreu no Domingo, dia 12 de setembro de 99, com a evasão de 644 adolescentes.A secretária de Estado responsável pela Febem, Marta Godinho declarou, na ocasião: “As fugas continuarão, pois da Febem só não foge quem não quer.“

Em 24 de novembro, a Febem transferiu adolescentes para o Cadeião de Santo André.

No dia 20 de dezembro, o Departamento de Execuções da Infância e Juventude da Capital, Deij, conseguiu liminar para determinar que a Febem retirasse os adolescentes do Cadeião de Santo André, por considerar o espaço inadequado para abrigá-los.

No dia 26 de dezembro, um adolescente foi espancado até a morte por outros internos do cadeião.

Em 30 de dezembro, o Tribunal de Justiça de São Paulo cassou a liminar do Deij.

No dia 3 de janeiro de 2000, o Ministério Público de São Paulo solicitou ao Deij que mandasse a Febem melhorar a estrutura do prédio e que os internos tivessem acesso à escolarização e cursos profissionalizantes.

Em 6 de janeiro de 2000, o Deij determinou que a Febem cumprisse a solicitação do Ministério Público.

No dia 18 de janeiro de 2000, o Tribunal de Justiça de São Paulo cassou mais uma vez a liminar do Deij. O presidente do TJSP tem sido homem de ferro no sentido de apoiar a desastrosa política estadual voltada para os jovens em conflito com a lei, que se fundamente no encarceramento massivo.

O passa- repassa de responsabilidade seguiu pelos anos seguintes….

Por exemplo, no dia 15 de novembro de 1999, as famílias de internos denunciaram maus tratos no cadeião de Pinheiros a promotores de Justiça do Ministério Público de São Paulo. Em 21 de dezembro de 1999, o Ministério Público pediu ao Deij que determinasse a transferência dos adolescentes. Em 22 de dezembro de 1999, o Deij determinou a retirada dos adolescentes. Em 30 de dezembro de 1999, o Tribunal de Justiça cassou a liminar. Em 4 de janeiro de 2000, o Ministério Público solicitou novamente ao Deij que determinasse à Febem a reestruturação do prédio e que garantisse acesso à escolarização e cursos profissionalizantes. Em 6 de janeiro de 2000, o Deij determinou que a Febem obedecesse ao Ministério Público. Em 18 de janeiro de 2000, o Tribunal de Justiça cassou a liminar do Deij.

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pra completar, de lá pra cá….

E resumidamente, e só pra contextualizar:

1. No dia 5 de setembro de 2000, o Centro pela Justiça e o Direito Internacional – CEJIL, apresentou ante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (doravante “a Comissão” ou “a CIDH”) uma petição contra a República Federativa do Brasil, (doravante “Brasil”, “o Estado” ou “o Estado Brasileiro”). A referida petição denunciou violação dos artigos 4, 5 , 19, 8 e 25 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos (doravante “a Convenção” ou “a Convenção Americana”), sobre direito à vida, direito à integridade física, direito à proteção especial à infância, direito às garantias judiciais e direito à recurso judicial, todos em relação ao artigo 1.1 da Convenção Americana, bem como a violação do artigo 13 do Protocolo de San Salvador, sobre direito à educação, em prejuízo dos adolescentes acusados de cometerem infrações penais, custodiados nas unidades da Fundação do Bem Estar do Menor – FEBEM (doravante “a FEBEM”), no Estado de São Paulo.

2. O peticionário denunciou o Estado Brasileiro pela situação em que se encontravam os adolescentes encarcerados no sistema penal paulista e a violação dos direitos destes que sistematicamente vinham sendo vítimas de torturas, maus tratos e espancamentos. Demais disso, a situação degradante a que viviam expostos tinha dado causa a várias brigas internas, rebeliões e fugas que terminavam muitas vezes de forma violenta, com graves lesões corporais e até morte dos adolescentes custodiados.

3. O Estado, quedou-se silente às denúncias de torturas e maus tratos, bem como sobre a morte dos adolescentes mencionados na exordial, alegando tão somente que “a morosidade atribuída não pode ser creditada à negligência do Governo Brasileiro, por intermédio de seu Poder Judiciário, uma vez que a Constituição Federal Brasileira estabelece recursos judiciais que visam garantir o direito à ampla defesa e ao devido processo legal”. Aduziu que o Estado de São Paulo iniciou processo de transição da FEBEM e trouxe à colação cópias de projetos que, informa, estão sendo desenvolvidos nesta Fundação.

4. A Comissão, em conformidade com os artigos 46 e 47 da Convenção, decidiu declarar a admissibilidade da petição, relativamente à eventuais violações dos artigos 1, 4, 5, 8, 19 e 25 da Convenção e artigo 13 do Protocolo de San Salvador.





uma pergunta;

30 10 2008

Nos últimos meses eu tenho estudado sobre a história da FEBEM. O assunto já era algo que eu tinha mais ou menos desde 2005, quando o sistema deixou vir a tona aquela loucura de mortes, torturas e rebeliões que só nestas terras é que se vê.

Tendo trabalhado em redação por estes tempos, eu acompanhei a transição da FEBEM para Fundação CASA, e todo seu processo de descentralização da capital para os municípios. Cheguei a checar várias vezes informações a respeito da construção da unidade aqui em Jundiaí, o número de adolescentes da região nos grandes complexos, quais eram os principais atos infracionais, Conselho Tutelar, programas e etc. Inclusive conversei com os 15 adolescentes que estavam em uma cela da Cadeia Pública daqui dias depois da última rebelião, onde morreu um dos presos. Isso aconteceu logo depois do surto de tuberculose, e a superlotação {que de capacidade para mais ou menos 120 estavam com quase 400}. # não encontrei meus textos da época na internet já que o site do jornal foi reformulado =(, mas com prazer um texto do Emerson, daquela época http://portaljj.com.br/interna.asp?Int_IDSecao=47&Int_ID=51893

Me recordo, que na época, a construção da unidade da Fundação já estava no papel e também do CDP. Das duas, o CASA foi inaugurado mais ou menos dois anos depois e o CDP até hoje é uma das lendas urbanas da cidade. & que de embargos e liminares continua pela metade enquanto a cadeia bufa de gente. @

O fato aqui é que a unidade da Fundação CASA prometida pelo governo na época, veio. Esta transição FEBEM – Fundação CASA começou em 2006, logo após as determinações da ONU a respeito. Diante do caos, o governo do Estado – e isso é da época do Alckmin, providenciou a construção de várias unidades menores, com capacidade para até 56 adolescentes. Mudou o nome, mudou a concepção arquitetônica. Veio o Sinase com as diretrizes para o atendimento e hoje, mesmo que os funcionários que são concursados – os agentes de segurança, por exemplo, usem crachás com o nome FEBEM e você encontre vários formulários ainda com o logo antigo, não se pode mais dizer o FEBEM de maneira alguma. “Aqui é Fundação CASA, FEBEM não existe mais!”.

Esta percepção de campo – de contato com o antigo e novo modelo é muito regional, já que eu vi o antes – quando os adolescentes aguardavam o processo na cadeia pública e o depois – quando passei como educadora na unidade daqui da cidade; que da minha saída contava com exatos 56 adolescentes – 40 em regime de internação e 16 em internação provisória. Além disso, o contato através do COLETIVO nas unidades do complexo de Vila Maria – Abaeté e Adoniram, já com a ‘nova’ nomenclatura. As outras informações que tenho são muito mais técnicas – de notícias da própria Fundação, imprensa, artigos e legislação. O que ainda impede eu possa falar sobre com tanta ‘propriedade’ como eu ouvi dizer por aí.

Mas de formação curiosa, ainda que seja pouco, este material inicial me dá base para criticar. Presenciei sim, e ouvi relatos, que confirmam o quanto ainda é rala a mudança exigida por todas as Convenções Internacionais de Direitos Humanos a respeito do tratamento destinado ao adolescente que cumpre medida sócio educativa de internação. {falo assim porque não cheguei a conhecer o trabalho que é desenvolvido na semi-liberdade, apenas o de internação e há muito tempo atrás o de Liberdade Assistida}. ### . A gestão exigida por este novo modelo, é compartilhada. Ou seja, o Estado entra com uma parte e o município, através de seu Conselho da Criança e do Adolescente, indica uma ONG que seja capacitada para o trabalho de atendimento. Aqui, este trabalho é realizado pelo CEDECA – Centro de Defesa da Criança e do Adolescente. Pelas informações contidas na legislação, isso seria uma forma de garantir os direitos dos adolescentes em conflito com a lei, garantindo que não hajam casos de desrespeito a legislação, que subentende torturas – físicas e psicológicas, e que garanta a ressocialização – reduzindo os índices tão altos de reincidência.

A gestão, sabidamente, não é tarefa fácil. Uma vez que além de lidar com o estigma violento da FEBEM, é preciso manter a ‘ordem’ na casa.

Mas o que acontece é que vemos apenas o reforço da antiga visão do atendimento sócio educativo. Com panos quentes, os fatos são abafados, e o tom amarelo do prédio aparenta que tudo está sob controle.

Por aqui, e isto não é cuspir no prato que eu comi, uma vez que agora fora do sistema não estaria falando mal dos meus colegas de trabalho, nada está assim tão sob controle como aparenta.

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Só pra constar um levantamento ‘light’, num dos dias que estive lá, eu contei em uma fila para enfermaria exatos 28 adolescentes com prescrição para psicotrópicos – Diazepam e Carbamazepina http://pt.wikipedia.org/wiki/Carbamazepina e alguns pelo que eu soube, o mais leve, Rivotril. Só cabe dizer o quanto eles ficavam ‘dopados’ … { numa das conversas na área dos fumantes, admirei o trabalho de uma das enfermeiras que estava dando estímulos positivos, como destaques no relatório, aos adolescentes que paravam de tomar os tais remédios – espero que isso tenha se mantido e que a fila tenha diminuído}.

O CASA aqui passou por uma rebelião, em julho. E nos dias que estava acompanhando os adolescentes na quadra, eles faziam questão de me contar como havia sido… Entre outras histórias – de invadir a dispensa e comer tudo que havia de doce, um deles contou que invadiu a enfermaria em busca dos tais remédios… ‘fiquei locão quase dois dias’ – brisa na cadoca é a melhor das diversões para eles. / ? +  . Perguntei a um dos funcionários sobre o tratamento da dependência química, já que vários deles eram viciados em cocaína – e não escondiam isso de ninguém, outros em crack – um de 12 tinha crises de abstinência punks, aliás. A resposta que tive é que estar internado já é uma medida protetiva contra uso de drogas. {o que ele exemplificou com a medida protetiva de educação – que é a garantia de que o adolescente estará matriculado regularmente no ensino público} aham. é isso mesmo = ele está protegido contra as drogas uma vez que está garantido que o adolescente não usará drogas no interior da unidade. +++ o que seria óbvio, right? “pode ficar tranquila mamãe, teu filho não vai fumar pedra aqui dentro” – seria cômico senão fosse trágico, diria a minha//

Sobre isso, um artigo que li há uns dias que fala sobre a medida protetiva : http://www.interface.org.br/arquivos/aprovados/artigo83.pdf

Tão lógico como o céu é azul, e alguns comprimidos também, [[trocar uma droga por outra não parece ser tão aceitável]], e mais lógico  do que a máxima de que o céu é azul, é que uma caixa de Diazepam vai custar ao menino muito mais que uma pedra de crack.

??????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????      .

* e a questão que fica, pra que isso não seja um capítulo, é:

até onde tem sido mais fácil tornar adolescentes viciados em psicotrópicos do que efetivamente respeitar seus direitos fundamentais???????

_se daqui uns tempos virar rotina os roubos à farmácias, não vão dizer que eu não avisei. __

pra findar, Sandrão – Chapa LOOpa. é bem nestas,

[[2 – o acesso aos meios de comunicação social aos adolescentes em medida sócio educativa de internação…. chequei novamente o ECA, li alguns artigos e enfim, é isso mesmo. Um dos direitos garantidos à eles é anulado dentro da Fundação CASA pelas normas de segurança; salvo a falta de atividades, ou a desconexão delas – em tempo, ao invés de um grupo de rap, acharam melhor um “tecladista” na formatura do curso de panificação. HO. os meninos devem ter a-do-ra-do! { mas rendeu uma matéria no JC e isso já valeu o dia}




parte 1

16 10 2008

‘quem não quer brilhar? quem? mostra quem … ninguém quer ser coadjuvante de ninguém….’,

já dizia o sábio Brown.

Nas últimas 72 horas – e isto tudo parece que começou lá junto com o tal Lindemberg de Santo André (que me lembra assombração) escrevi diversas cartas, algumas várias com o mesmo destino, outras pra pessoas que nem conheço tão bem, outras para Ju aqui mesma… cartas e não e-mails, e já explico o porquê…… /// mas eu tô me livrando do refém agora meu filho, vê se segue o exemplo da tia e deixa a programação da tv voltar ao normal – pelamor.

Se casos de amor aqui nesta minha terra não dão flor, o meu caso com o meu laptop também passou por uma crise existencial nos últimos dias. Nada assombroso para quem tem um estagiário de informática, estudante de engenharia da computação e o tal certificado da Microsoft, – que faz a criança acordar aos domingos as 5 da manhã para ir para SP. / Salvo a má vontade do brother, foram dois dias para chegar o diagnóstico do meu amigo e mais um para ele ser consertado. Cá estou eu de volta, exercitando os dedos nesta maratona, que agora tem prazo previsto – que seja aproximado, já que nunca fiz isso, mas desta vez este livro sai.

Estou temporariamente em casa. E que tenha a ‘brevidade’ do atendimento sócio educativo de internação, como tá lá no meu querido Sinase …

freestyle sem flow.

Passada a sensibilidade a flor da pele, que estava me consumindo dia a dia,  tentei equilibrar a hostilidade, a tensão e falta de liberdade que por pouco não me anulou. Passei o domingo refletindo sobre o que eu estava me tornando… e como mãe Oxum, tão presente em minha vida, e mais ainda neste dia 12 de outubro, eu já pressentia que antes que eu falasse, falariam…

O argumento é que não é da minha ‘natureza’ seguir regras. Ok. Eu sou ácida, azeda, e principalmente curiosa – com um quê de luta por justiça, já que eu não sei calar quando alguém se prejudica unicamente por egos e vaidades de outrem. E ali são vidas, precisamente 40, e que deles, ao menos 25 conviviam diariamente pelo menos 9 horas comigo. = muito mais tempo do que tenho passado com meu filhote, que sempre me salva com teus 400 sorrisos diários. (quais regras são estas? e o que dizem elas a não ser o andar com as mãos pra trás pedindo licença o tempo todo???? ).

E sem sorriso, algo ali queria roubar a minha liberdade. Ao passo que eu me aproximava cada vez mais daquelas todas crises e dilemas de adolescentes sem perspectiva, fui ficando tão presa quanto eles. Tão hostilizada e por que não dizer mal tratada … ( e como um dia eu já tinha dito, é tudo igual a antes, e não venha me dizer que o modelo FEBEM morreu, porque na boa, eu não vou mais deixar que me façam aceitar por imposição de ‘propriedade’ que esta é a melhor maneira de se fazer. Falta sim propriedade talvez em áreas jurídicas, psicológicas, pedagógicas, assistenciais e então, principalmente, de segurança – sim porque se a medida sócio educativa tem este nome é de fachada, uma vez que quem tem a voz única da gaiola pra lá, são eles).

Mas a minha propriedade, – que aos 25 e espero que assim seja ao longo de toda minha vida – , ainda está em formação. Não li isto em nenhum livro de auto ajuda, e considero que seja esta sim a minha natureza: estar em formação. Não tenho preguiça de aprender, não tenho preguiça de questionar, não fico vendo o barco passar, eu vou lá ver como é que segura o remo… dá pra entender???

Acho que tudo começou com o meu perfume – que pra quem conhece sabe que ele lembra o cheiro do beck …

http://www.natura.net/port/hotsite/ekos_priprioca/index.asp , sem argumento, logo na primeira semana, estereotiparam a educadora tatuada e colorida em maconheira. Dali eu já senti até que ponto a coisa podia andar … se tão falando sobre isso sem que eu perceba, que mais falaram de mim? e o mais loco que eu não tive nem a oportunidade de me apresentar …

Daí veio a questão da censura com o jornal, o rádio, o Racionais, o pular no banheiro pra pegar a bola, a formação sob a neurose, a conversa demais, a empatia, as brincadeiras …. a intenção única era no mínimo ‘destensionar’ o ambiente. Mas me odiaram, e eu que, de tão simpática dou idéia até pra mendigo na rua, me transformei numa pessoinha chata, que defendia os meninos ( e tá tudo na legislação, não fui eu não quem criou !) e que tava ali só pra tumultuar.

Os projetos foram engavetados. E eu aceitei a vaga na época simplesmente pela possibilidade de crescer, de desenvolver um trabalho bacana e principalmente com resultados. Acabei em casa, com uma caixa de long neck e uma tinta pro cabelo, a pensar no que eles estão fazendo agora …

{continua logo mais, que eu tô atrasada para o cabeleireiro}

ouve lá, ouve alto e canta junto comigo

UM POR AMOR, DOIS POR DINHEIRO – RACIONAIS MCS – que não é apologia aqui nem na China, vaenego!





oui,

28 09 2008

E assim vai.

Agora resolvi escrever …

a vida tá meio confusa. mais o ritmo impede de pensar muito sobre…mas vamo lá:

Art. 124. São direitos do adolescente privado de liberdade, entre outros, os seguintes:

XII – realizar atividades culturais, esportivas e de lazer:

XIII – ter acesso aos meios de comunicação social;

Pois é, tá determinado no Eca que os adolescentes em cumprimento de medida sócio educativa, têm por direito, o acesso aos meios de comunicação social… Assumo a culpa – por ter sido avisada e hoje ter passado batido a retirada da página policial do jornal que eu levo todos os dias para os meninos …( se bem que eu considero que se a informação têm de chegar, que chegue completa, ou senão fica como tapar os olhos diante a realidade …), mas hoje eu presenciei exatamente a censura e o descumprimento de um dos artigos do ECA – a ‘bíblia’ dos direitos da criança e do adolescente…

Não é um querer bater de frente ou dar uma de Che Guevara de saia, mas a minha percepção – e seria a mesma se eu não fosse jornalista, é de que o acesso à informação é um dos direitos fundamentais do ser humano… ficar privado do que acontece lá fora é um ‘contra-mão’ da tal ressocialização… deixar o adolescente alheio do mundo e devolvê-lo depois como se tivesse parado no tempo???

Tá, o argumento dado foi bom. Uma informação ‘indigesta’ chega a causar problemas graves, como por exemplo uma rebelião. Afinal lidamos com 38 estados de humor diferentes e personalidades peculiares de adolescentes autores de atos infracionais e privados do direito primário do ser humano: o de ir e vir. Mas então qual seria a opção melhor dentre isso, que equilibrasse os ânimos tão particulares com direitos fundamentais?

Fico preocupada com fatos assim. Confusa do ponto de vista do dia a dia e do outro azedamente crítica e curiosa… (aliás escrevo para tentar encontrar uma saída, mesmo que seja provisória). Todo material deve ser ‘revisto’ – os meninos, alguns, às vezes retiram umas páginas para colar nos quartos… normal, pela idade que tem. Eu fico meio injuriada, afinal tenho o maior xodó com as minhas revistas… mas enfim.

Os dias têm sido melhores, exceto pela falta de organização e movimentação – no sentido de oficinas e atividades lá dentro, ontem um dos garotos mais inteligentes e articulados que conheci nos últimos tempos foi para casa… a felicidade no sorriso dele foi impagavél…

deu preguiça agora, acho que é melhor eu pensar mais antes de escrever. vou ver a novela de cobertor e amanhã plantão cine trash das 7 as 19. uhu

ouve então – Estilo Vagabundo, do Mv… (é, ele lembra vc)





os meus últimos quinze….

17 09 2008

depois de praticamente 15 dias na direta sem folga, vamo escrevê. ;

www.myspace.com/emicida – ouve lá, Cada Vento é a música.

e os meus últimos dias na Fundação CASA;

((são 34 adolescentes, de 12 a 18 anos. aliás, dois deles tem 12 anos e são viciados em crack…os vulgo ‘pedrinha’.

tenho aprendido muito, acho até que muito mais que eles. sobre respeito, sobre comprometimento e principalmente relacionamento com o outro. é claro, que adolescentes, ainda mais presos, vez em sempre são rebeldes, mas até o momento a minha relação com eles é tranquila. talvez pelo meu jeitão de ser eles se identificaram e viram em mim alguém com quem eles podem contar… e eu também, é claro, me identifico com as famílias e mesmo com eles- a visita, as cartas, o até mais… é um dejavú ao contrário da infância de jumbos, sem pai aos domingos pra ver a corrida de fórmula 1.. mesmo não tendo morado na periferia, eu cresci ali e vivenciei – como tantos sabem, diversas situações tão iguais quanto as deles na minha família.

problemas, claro, falta de organização idem. e isto atrapalha e prejudica muito nosso trabalho, no caso, sócio- educadores. quando eu cheguei há quinze dias, um grupo de intervençaõ de segurança, formado pela antiga Febem estava lá. o objetivo era (e foi) colocar disciplina na casa. pelos relatos, haviam muitas ocorrências de agressão física e verbal, entre eles e também com os funcionários.

a minha percepção ainda é inicial… a gente (no caso eu) fica meio com o pé atrás, aliás muitos destes agentes de segurança que trabalham neste grupo acreditam (e fielmente) que a porrada é a única maneira de colocar os meninos na linha…

não é de hoje que as pessoas defendem o diálogo como a melhor forma de entedimento, o ECA, o PIA, o Sinase , as Convenções Internacionais e toda a legislação vigente na área de direitos e deveres da criança e do adolescente são bem claras quanto a isso. porém a cultura do espacamento e a violência velada da agressão e humilhação verbal ainda parece estar ‘incrustada’ na mente de algumas pessoas … claro, existem casos, que até com todo este coração de madre Teresa de Calcutá sinto vontade de enfiar a mão na orelha de um pra ver se a criatura se liga … não é mamão, eu bem sei, engoli seco várias situações nestes dias relativamente presa na direta com 34 adolescentes,

o que eu sinto é que mesmo tendo se passado 2 anos desta transição FEBEM – Fundação CASA, muitos funcionários são resistentes a racionalidade e acabam agindo na emoção do momento, o que subentende-se arbitrariedades de julgamento, colocando meninos na tranca o dia todo, humilhando-os na frente dos companheiros e funcionários, penalizando-os a todo tempo, como se a privação da liberdade já não fosse tão punitiva como eles mereceriam. … e o que é a liberdade ????

a CASA em que eu estou trabalhando ainda não tem 1 ano de vida. foi inaugurada em fevereiro depois de toda a resistência da comunidade, que não queria de jeito algum uma unidade aqui. mas não teve jeito e ela teve de ser inaugurada, até porque vários adolescentes da região estavam espalhados nos grandes complexos de SP. e o que diz toda a legislação em relação a adolescentes em conflito com a lei? – toma que o filho é teu. -?> e este talvez seja o nome do livro,

o dia a dia é tenso, sempre. afinal estamos atrás das grades, e muitos ali não tem a mínima perspectiva de mudança de vida, é como se ali fosse apenas um estágio deste estilo de vida que superlota todo o sistema carcerário e entope as varas judiciais além de alimentar a corrupção policial, e todas as outras formas de violência existentes.

… ( o modelo pedagógico da instituição é chamado Modelo Pedagógico Contextualizado, criado pelo atual assessor da presidência da Fundação CASA – Gerardo Mondragón, que visa a progressão do ser humano dentro do processo, destacando suas potencialidades e com o objetivo maior de ressocialização dos adolescentes egressos, … rico em detalhes, fruto de experiência e estudo 0- assim que terminar de ler pretendo escrever aqui sobre esta parte ‘técnica’ do modelo…).

tenho dormido pouco, pensando em maneiras de mostrar a eles uma vida melhor, procurando exemplos de métodos bem sucedidos, tentando ao máximo expôr que cada um tem uma qualidade que pode fazer diferença daqui pra frente… desgastante, sim, afinal o cotidiano é muito diferente de chegar de fora com atividades interessantes, como a experiência que eu tinha com o COLETIVO até o momento… == equilíbrio emocional, serenidade e justiça >> tão pessoais e não.

eu nasci curiosa, exatamente num feriado internacional (quiçá mundialLL)

O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época.
Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia. Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.
(IBGE).

88888“humano, demasiadamente humano” (??)… e desta vez teve fim, sim. mas se não foi meu, é justamente porque não era pra mim. (axé então pra vc queridão).

a música eu já citei lá em cima, então é isso.

axé nois tudo, e vida melhor, esta é a meta.





o COLETIVO

28 08 2008

Resolvemos (eu e nós) escrever um post sobre o trabalho do COLETIVO. O projeto tinha um blog próprio, mas por falta de manutenção e boa vontade de alguém pra atualizar, eu acabei deletando. (já tive mil e um blogs que deletei, por isso que deste, faço a resistência e posto nem que seja poste)

….

Resumidamente, o projeto COLETIVO http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=12587113325116518108 é uma idéia maluca de unir artistas independentes em torno do combate à violência, com objetivo de inclusão através da arte. As coisas começaram este ano, em março, quando visitamos a unidade de Vila Maria da Fundação CASA… a proposta era apresentar o trabalho e seguir com as oficinas, porém esbarramos em mil e uma burocracias e más vontades, mais más vontades do que burocracias – ‘posto que é chama';…… apresentamos parte do trabalho em uma faculdade de comunicação, na estação cultural da CPTM, em um evento em Mogi e outras participações que pararam em junho, já que muitos pularam do barco e me largaram sem remo… ( meu pai ficou doente, rolam desentendimentos e decepções à parte), o COLETIVO conta com apoio de diversos meios culturais e empresas, -> entenda-se sempre que apoio é diferente de patrocínio -> onde rola o cash, – coisa rara aqui, principalmente quando se vai de canoa e sem remo. *** entre os apoios, – COLORGIN, CPTM, FUNDAÇÃO CASA – setor de parcerias, FACULDADE PRUDENTE DE MORAES, ASSAOC, SENAC JUNDIAÍ, MOVIMENTO HUMANISTA, BIBLIOTECA COMUNITÁRIA DE ITU, entre outros que sempre que preciso dão uma força aqui e ali, na medida do possível para que a gente não desista.

- pra quem acompanha desde o início, pode soar meio estranho tudo isso, ‘ah, então voltou?’, não, não é que voltou, sempre esteve aqui, mas em fase de re-estruturação.

e também nem vira entrar no mérito de como um trampo deste é lento, quase mesmo de ‘formiga’ como dizem, dando um passo de cada vez , …. e de como a confiança e lealdade de pessoas com o mesmo objetivo são importantes.. mas apesar das enguiçadas que o COLETIVO sofreu, taí nóis na subida da ladeira mesmo (e melhor ainda) que os bico não queira.

Hoje, estamos com vagas abertas para oficineiros na áreas de percussão e break para adolescentes em medida sócio educativa de internação e com projetos de basquete street, produção de áudio e vídeo, e já em andamento com oficinas de estêncil e zine para adolescentes em medida provisória. Até dia 15 deste mês, a gente vai cadastrar pessoas interessadas em ministrar oficinas de produção de áudio e vídeo, além da produção de um cd com os adolescentes internos.

A idéia é que até o final do ano, pelo menos 10 pessoas, envolvidas direta ou indiretamente com o projeto, estejam empregadas como oficineiros em alguma unidade da Fundação CASA ou projeto paralelo de ressocialização, trabalhando com arte e cultura, repassando seus conhecimentos para adolescentes em situação de risco, colaborando com a redução da violência e ainda por cima podendo ganhar uma moeda com isso.

O projeto também conta agora com um espaço que está sendo reformado para contar com cursos de capacitação na área de projetos culturais, bem como encaminhamento de projetos sócio culturais para programas de incentivo, tanto municipais como estaduais.

o nosso e-mail – agenciatrespontoum@gmail.com

e o myspace (desatualizadíssimo né menino Acme?’) www.myspace.com/coletivo31

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agora deixa eu falar, = não, eu falo na próxima,mjnasdioahsohda8isg

E AE ANAJU, eutotrabalhandopracaralhoporra!








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