você se lembra disso?

31 10 2008

da Veja, em 3/11/1999

Gostaria muito de poder ouvir este garoto que deu a entrevista à Veja em 99 e confessou ter arrancado a cabeça do outro adolescente. Até agora o que consegui é que ele estaria em Osasco. Fábio Antônio de Castro, quase dez anos depois, deve estar com 28 anos. (continuo na busca).

Numa conversa com um agente do Grupo de Intervenção lá no CASA, ele me contou sobre este dia … ter visto a cabeça do adolescente ser jogada de cima do telhado certamente é uma imagem difícil de se esquecer. Achei algumas fotos, mas me recuso a postá-las aqui.

“Dei três machadadas nele”

Rosana Zakabi

Renata Ursaia
Castro: incêndio e decapitação para se vingar de outro garoto

Três dias depois da rebelião da Febem da Imigrantes, uma unidade que fica em São Paulo, dois internos confessaram sua participação na incineração e decapitação de um menor ainda não identificado. Segundo a polícia, M. D. D., de 17 anos, admitiu ter ajudado a cometer a barbárie com o uso das chamas de um maçarico. O outro, Fábio Antônio de Castro, 18 anos, usou uma machadinha. Castro foi internado há um ano e dois meses por assalto a um posto de gasolina. Em 1995, num acidente com fogos de artifício, perdeu a mão esquerda, além do dedo indicador e parte do dedo médio da mão direita. Segundo o que diz, foi uma vingança. “Ele (o colega assassinado) gozava do problema do meu braço e ameaçava me matar. Isso me revoltou.” Na última quinta-feira ele deu o seguinte depoimento.

Veja – Como foi a rebelião?

Castro – Tudo começou às 9 e meia da noite. Daí, tocamos fogo nas alas A e B. Fiquei empolgado, fui pensando em coisas boas, que eu ia conseguir fugir… Nós fizemos a rebelião na intenção de todo mundo fugir. Aí, vi que eu não ia conseguir. Mas, antes disso, eu já estava indo atrás dele (o colega que ele matou).

Veja – Qual o nome do menino degolado?

Castro – Não sei. Ele estava no artigo 157, por roubo de carro. Ele foi me gozando e eu disse que um dia nós ia (sic) se trombar. Aí, quando a casa virou eu fui logo atrás dele. Antes ele do que eu. Vesti a minha roupa e já coloquei um machado na cintura.

Veja – Como você conseguiu o machado?

Castro – Na carpintaria. Eu estava na A, desci para a carpintaria, fui com os outros até a C, invadimos a ala, tiramos os outros manos que estavam lá e ficou só ele. Ele e outros dois seguros (os internos sob proteção dos monitores). Só que os outros dois conseguiram correr. Quando cheguei lá, taquei fogo na ala e ele tava lá dentro. Aí, ele pegou fogo e começou a pedir para não morrer. Eu tirei ele de dentro do fogo e levei lá para baixo. Ah, ele entrou em pânico, né, meu? Aí, falei pra ele: “E aí, tu não falou que ia me matar?” Eu, com machado na mão, já esperando ele falar alguma coisa. Ele já estava no chão, olhava para mim, todo queimado e pedia: “Pelo amor de Deus…”. Aí eu falava: “Ah, não fala pra Deus nessas horas, porque já era…”. Aí, foi aquilo.

Veja – Aquilo o quê?

Castro – Dei três machadadas nele, aí, já era. No pescoço. Na frente, assim (mostrando o queixo). As outras duas, do lado.

Veja – Nesse momento, ele estava em chamas?

Castro – Quando arrastei ele pelo colarinho da camiseta, o fogo apagou. Mas ele já estava todo inchado, agoniado. Aí, fiz logo o serviço, para ele ver que não tem comédia na fita, né? Ele vacilou, xeque-mate. Arranquei a cabeça dele e joguei para o outro lado. O corpo dele ficou lá. Mais tarde, fiquei sabendo que tinham arrancado uma perna dele e jogado para o outro lado.

Veja – Havia mais dois na ala C que fugiram?

Castro – É, foram os primeiros a ser trombados. Os caras estouraram a cabeça deles, enfiaram telha no cérebro e jogaram lá pra baixo pro Choque carregar. E tem o “Alemãozinho”. Esse aí, acho que colocaram fogo no olho dele…

Veja – O que você espera do futuro?

Castro – Não sei. Agora é o Choque que está no comando e só quer saber de maldade: não deixa ninguém sair, só sofrimento… Nós tá (sic) três dias sem dormir e sem tomar banho… Mas agora, estou vingado. Tô satisfeito e não tô arrependido, hein?

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11 08 2011
everson

bem eu estive la e sei muito bem como era aquele lugar fugi uma vez e no dia que aconteçeu a rebeliao ja nao estava mais la tinha ido de bonde pr o tatuape a treis dia. aquilo foi um pouco do que acontecia la dentro

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