vem com nóis.

5 11 2008

tô apanhando demais aqui neste wordpress. tô mudando de endereço, achei o blogger mais didático pra mim. http://elenaoquispostar.blogspot.com/ talvez seja este o endereço.

(e não é que uma assombração do passado resolveu bater novamente por aqui?)

Eu acho graça nestes caras que depois de passado tanto tempo resolvem ressurgir das cinzas… falando com você da mesma maneira que falava quando estavam juntos… rá rá rá.  (eu dou corda, afinal como disse o IBGE, a situação tá ruim pra mulherada)

axé nóis tudo. e vem com nóis sexta feira!

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1. A depressão rima com as portas

4 11 2008

Amarelas, assim como a raiva, a angústia, a depressão … aquele estado amarelado de hepatite, de amarelão, de pus de unha encravada, de icterícia de bebê, de ar seco do sertão, de urina, de chinês. De jornalismo- amarelo, doença, decadência, degeneração…., e assim são as portas das novas unidades da Fundação CASA.

(((((No livro Psicodinâmica das cores em comunicação, de Modesto Farina – Ed. Edgard Blucher, tem muita coisa interessante, e todo mundo deveria ler. Uma resenha bem bacana sobre ele aqui: http://usabilidoido.com.br/psicodinamica_das_cores_em_comunicacao.html ;

O filme Amarelo Manga (que eu amo) também dá uma boa noção sobre isso. Almodóvar, por fim, explica tudo. Assita Volver.))))))

E as tardes dentro da unidade se vão meio amareladas assim como a sua nova identidade visual. O amarelo gema das portas rima com o tédio dos dias ali dentro, com a falta de sol, com a abstinência e com o tratamento a base de psicotrópicos dispensado à maior parte dos adolescentes.

O novo modelo arquitetônico, em que a unidade é dividida em três andares – primeiro piso: refeitório, salas de aula e oficinas, segundo piso: dormitórios e terceiro piso: quadra, e construída no meio do terreno, faz com que o sol seja raridade. Alguns dias, apesar do calor intenso, não se via uma fresta de luz entrar pelas janelas.

Na quadra, por conta das normas da segurança interna, não se pode encostar nas grades de proteção. A distância mínima que o adolescente deve ficar é de um metro. Não se pode acenar para fora, e se quiser pegar o sol que por vezes bate ali, tem de ficar sentado, de costas para parede. A justificativa fica sob as  possíveis tentativas de fugas.

Por diversas vezes presenciei vários deles sentados uns próximos aos outros na parede da quadra na intenção de dividir um feixe de sol que passava por ali.

Tanto nas prisões como nos centros de tratamento psiquiátrico, o banho de sol é recomendado pelos médicos especificamente para minimizar sintomas de depressão.

Artigos recentes demonstram cientificamente a relação entre a falta de exposição a luz do sol e a depressão. Como destaca o estudo publicado nos Archives of General Psychiatry , de maio deste ano: “As causas subjacentes da falta de vitamina D, como menor exposição ao sol ao reduzir as atividades ao ar livre, as mudanças de casa ou de hábitos como o de se vestir, o menor consumo de vitaminas podem originar depressões, mas a depressão pode ser também conseqüência de um baixo índice de vitamina D“.

O psicólogo Camilo Arantes, que trabalha em um centro de tratamento de adolescentes com dependência química, explica que na maioria dos jovens atendidos, o primeiro diagnóstico está sempre ligado à leve depressão. O que incentiva o consumo e por consequência a sua depedência.

A importância de atividades ao ar livre durante o tratamento é fundamental, segundo ele. “Em conjunto com o trabalho de conscientização e desintoxicação é necessária a atividade física, principalmente ao ar livre, onde a luz solar potencializa a ação da vitamina D no organismo e reduz o grau de depressão de maneira significativa”.

Somados em todo o Estado, são aproximadamente 11 mil adolescentes internos. De acordo com o último censo realizado com esta população de adolescentes, ficou constatado que pelo menos 48% eram usuários de algum tipo de droga ilícita. Não há dados na rede, e não recebi resposta até o momento dos pedidos que fiz sobre o tema, a respeito de quadros clínicos de depressão. O que se sabe é que sob a medida protetiva de saúde, estão inclusos tratamentos para dependência química de acordo com o serviço de saúde pública oferecida pelo município. Porém, no interior das unidades – salvo em alguns casos de grandes complexos onde acontecem reuniões de grupos do A.A e do N.A. – , a bomba privação de liberdade-abstinência-depressão é tratada com base em prescrição médica de psicotrópicos como Diazepam, Carbamazepina e Rivotril.

“As prescrições médicas são feitas de acordo com os exames realizados com o adolescente quando ingressa na unidade, o acompanhamento fica a cargo dos técnicos que podem ou não enviar notificações ao serviço de saúde pedindo suspensão ou progressão do uso do medicamento”, explicou a enfermeira de uma unidade visitada. (prefiro por enquanto não citar os nomes das pessoas e unidades que foram visitadas já que não tenho autorização das fontes para publicar a entrevista – já que também eu nem avisei que era entrevista.. ho ho ho, ).

Em uma tarde amarela na unidade, foram contados 28 adolescentes na fila para enfermaria. Em horários marcados todos eles passam suas queixas para a enfermeira de plantão e recebem medicamentos; a quantidade de horários de atendimento varia conforme a unidade. A consulta médica geralmente é realizada uma ou duas vezes por semana. O adolescente que tiver prescrição médica tem de ir até a enfermaria mesmo que se recuse a tomar a medicação. Em alguns casos, eles chegam a ser penalizados se não atenderem o chamado de atendimento de prontidão. Saídas para o PS são apenas em casos urgentes, já que sempre é preciso trabalhar com a hipótese de o adolescente estar blefando para tentar fuga.

Logo, o que se conclui é que em medidas de internação que podem durar até 3 anos, o adolescente é examinado uma única vez por algum médico do serviço psiquiátrico quando ingressa na unidade, e pode passar todos estes dias sob a prescrição de um medicamento anti-depressivo caso isso não seja revisto em seu atendimento individual que está previsto na lei. Nota-se, na leitura da mesma pesquisa citada acima, que os adolescentes egressos voltam a consumir drogas na mesma quantidade ou mais do que antes da internação.

R., 16 anos, conta que usava cocaína todos os dias nos últimos meses. Questionado sobre o vício, ele diz que era o que o deixava ligado pro ‘trampo’. “Passava par de dia acordado, ganhava dinheiro que nem água e cheirava tudo no mesmo dia”. Na sua nona passagem por um centro de internação, R. diz que já se acostumou com os remédios, mas que ao contrário do que pensam, ao invés de ‘passar’ a vontade da cocaína, a brisa lenta do anti-depressivo, só aumenta o desejo de consumir. “Parece brisa de baseado, aí que dá mais vontade ainda de tomar uma cerveja e dar um tirinho”.

(A abstinência, privação da liberdade e a depressão tornam diversos grupos de adolescentes em todo o Estado viciados em psicotrópicos, que de acordo com Arantes, são tão nocivos à saúde física e mental destes jovens em formação, como o uso de drogas como o crack e a cocaína. A fórmula simples, que poderia ser revista é de que sem os comprimidos, fatalmente aquele adolescente irá voltar ao consumo de drogas, alimentando o tráfico e na maior parte das vezes retornando à unidade depois de preso mais uma vez).

[continua…]

***ps- meus queridos, este é um rascunho/ resumo – já que não daria pra postar o texto todo aqui porque isso aqui é internet e ninguém merece ler páginas e mais páginas num blog////, mais informações oficiais e vários outros relatos virão quando o trampo estiver concluído.  Todos os dados são reais, assim como os personagens deste texto. //